A versão 4.8 do WordPress enfim foi lançada! Se você acompanhou nossa cobertura sobre o beta, então já sabe das novidades que vieram com a versão de codinome “Evans”.

Basicamente, tudo o que foi previsto nas versões beta se confirmou na versão final – inclusive a novidade de “limite dos links”, que agora finalmente fica um pouco mais clara. Este rápido vídeo ilustra o que isso quer dizer:

 

Ao selecionar uma parte de texto que contém um link, toda a parte linkada é selecionada automaticamente de modo a facilitar a edição. Não é mais preciso selecionar manualmente os limites do link, o que agiliza um pouco o processo e o torna mais preciso.

Os novos widgets também foram confirmados na versão final, como previmos nos testes com o beta:

Novos widgets de imagem, vídeo, áudio e texto com formatação. Você pode ler mais sobre eles na nossa cobertura do beta.

O widget de eventos de WordPress próximos também ficou para a versão final. 

Novidades para desenvolvedores

Como de costume, a versão também traz melhorias no core que interessam mais a desenvolvedores do que a usuários comuns. Dentre elas, destacam-se as seguintes:

  • Cabeçalhos mais acessíveis no painel de administração. Devido a novas regras de CSS, conteúdo alheio ao cabeçalho da área de administração, como links de “Adicionar novo”, não precisam mais estar nestas áreas. Isso melhora a acessibilidade para aqueles que usam tecnologias assistivas.
  • Remoção do suporte para arquivos WMV e WMA. Como cada vez menos navegadores dão suporte para o Silverlight, formatos de arquivo que necessitam da presença do plugin não recebem mais suporte pelos arquivos básicos. Os arquivos continuarão sendo exibidos como um link para download, mas não serão mais incorporados automaticamente.
  • Atualizações no multisite. Novas capacidades foram introduzidas na versão 4.8 com a intenção de remover chamadas para is_super_admin(). Além disso, foram adicionados novos ganchos e ajustes para uma maior granularidade no controle dos sites e na contagem de usuários por rede.
  • API JavaScript para o editor de texto. Com a adição do TinyMCE no widget de texto na versão 4.8 vem uma nova API JavaScript para instanciar o editor depois que a página for carregada. Isso pode ser usado para adicionar uma instância do editor em qualquer área de texto e personalizá-la com botões e funções.
  • API dos widgets de mídia. A introdução na versão 4.8 de um novo esquema para o widget de mídia na API REST cria novas possibilidades para outros widgets desse tipo no futuro, como galerias ou listas de reprodução. Uma classe básica é compartilhada pelos três novos widgets de mídia e cobre a maior parte das interações com a janela de mídia. Esta classe também torna mais fácil criar novos widgets de mídia e abre caminho para outras inovações.
  • Largura variável no Personalizar. Novos pontos de quebra no layout responsivo foram adicionados à barra lateral do Personalizar para torná-lo mais largo em telas de alta resolução. Os controles do Personalizar agora usam tamanhos baseados em porcentagem, ao invés de píxeis.

Versão 4.8 e o futuro do WordPress

Esta é inegavelmente uma atualização com pequenos novos recursos, mas inserida em um contexto mais relevante sobre o futuro do WordPress.

 

O futuro do editor

Um dos futuros recursos mais discutidos no momento é o novo editor de texto padrão do WordPress, o Gutenberg. Como a própria página do projeto detalha, uma das coisas que diferencia o WordPress de outros gerenciadores de conteúdo é que é possível criar um layout tão complexo quanto se pode imaginar – desde que você conheça HTML e CSS o suficiente para criar seu próprio tema (ou usar um builder, o que nem sempre é uma experiência muito agradável ou funcional).

Os autores vão mais longe: “Ao pensar o editor como uma ferramenta que permite criar posts de layout rico com apenas alguns cliques, esperamos fazer as pessoas começarem a amar o WordPress, ao invés de escolhê-lo apenas porque é o que todo mundo está usando para criar blogs [e sites]”

Uma coisa interessante é que as versões do WordPress vêm trazendo, pouco a pouco, melhorias do editor que caminham nessa direção. A versão lançada hoje traz um pequeno ajuste que permite trabalhar com links de uma forma um pouco melhor. Parece algo muito pequeno, mas é um passo a mais na direção imaginada pelos desenvolvedores.

Essa mentalidade de implementação incremental tem permitido que o WordPress evolua rapidamente, sem causar uma ruptura em termos de usabilidade para a sua imensa base de adeptos. É verdade que o conceito final do Gutenberg ainda parece distante se compararmos com o rústico editor atual, mas cada passo dado já é um passo a ser comemorado.

E o futuro, nesse sentido, parece ser mesmo brilhante para o WordPress. Basta ver o post de exemplo para ver como o Gutenberg deve permitir layouts antes reservados a temas feitos sob medida ou construtores de páginas, através do conceito de blocos:

Clique para ver a página inteira

A ideia dos blocos vai além e acaba se inspirando mesmo nos construtores de páginas já conhecidos no mercado: há uma discussão que propõe inclusive que os widgets que vêm por padrão sejam transformados em blocos que possam ser usados no novo editor.

Esses bastidores confirmam que, quando finalmente sair, o Gutenberg será uma mudança de grandes proporções na forma de criar conteúdo com o WordPress, atraindo ainda mais usuários e colocando a plataforma numa posição de liderança realmente sem precedentes. Afinal, aos poucos, todo desejo dos criadores de conteúdo vai sendo atendido e o WordPress vai se tornando o gerenciador de conteúdo mais poderoso, flexível e fácil de usar.

 

O futuro para desenvolvedores

Além das novidades que impactam (positivamente, decerto) a vida dos usuários finais, há certos aspectos em discussão que vão influenciar diretamente como desenvolvedores trabalham com o WordPress. 

Um exemplo muito vivo disso é a discussão recente sobre qual framework de JavaScript o WordPress vai usar no core no futuro. Os critérios de base para escolher foram: estabilidade, longevidade, maturidade, bem-adotado, de uso provado num contexto de WordPress, que acomoda necessidades de acessibilidade, interoperabilidade com código existente, extensível, testável, fácil de aderir por desenvolvedores, etc.

Duas opções foram sugeridas: Vue.js e React. A discussão foi grande, com prós e contras de cada lado, e evidentemente nenhum consenso surgiu ainda. Isso faz lembrar a enorme discussão no mesmo sentido para o Drupal. Mais de um ano depois, nada foi decidido ainda. Até mesmo uma detalhadíssima tabela comparativa foi preparada para ajudar na escolha, 

Com um alcance maior e mais desenvolvedores, o WordPress promete ainda muita discussão antes de o tema ser fechado. As discussões abordam aspectos que nem sempre são técnicos. Por exemplo, houve quem levantasse a questão de o React ser suportado e licenciado pelo Facebook, uma grande corporação, o que de várias maneiras foge da filosofia do WordPress. 

Defensores do Vue.js advogam pela facilidade de aprendizado como critério de escolha da nova framework. Ainda assim, parece que as opiniões estão pendendo para o React devido ao critério de “provado em um contexto WordPress” e sobretudo pelo alinhamento com o Calypso, a interface unificada de gerenciamento de sites já implementada no WordPress.com e que tende a ser o futuro para a versão self-hosted, também.

 

Uma comunidade mais fervilhante do que nunca

Para além de novidades de interface e grandes discussões que só acontecem nos bastidores, uma coisa é certa: a comunidade de desenvolvedores e usuários da plataforma está mais ativa do que nunca. O WordPress tem se mostrado mais sólido a cada versão e já anuncia um futuro realmente brilhante, tornando-se uma parte indispensável da web da segunda década do século XXI.

Nós, da BlogLite, continuaremos acompanhando e apoiando essa vibrante comunidade de usuários que movimentam quase 30% de todos os sites criados com CMS do planeta (certamente mais, em breve). É realmente uma posição privilegiada para quem quer observar – e contribuir.