Encontramos por ai uma infinidade de posts e artigos falando sobre plugins, indicando alguns indispensáveis e realmente sempre são boas opções… mas o post de hoje vem com uma abordagem e cuidado com o seu WordPress um pouco diferente: vamos falar aqui sobre os prejuízos que manter muitos plugins instalados pode trazer ao seu site.
Sinceramente, eu encontro poucos artigos que expressem exatamente o que vou abordar aqui. Essa minha proposta é mais uma conduta e política pessoal do que um método que aprendi em leituras por aí. Entretanto, em conversas com outros desenvolvedores WordPress, isso é quase uma prática generalizada e muitas vezes natural (preocupar-se em usar poucos plugins). Porém, na vez ou outra em que o assunto é abordado, longas conversas são o resultado mais comum.
No próprio Ideas do WordPress existe uma discussão iniciada há três anos sobre um carregamento condicional de plugins, mas ao que parece nada ainda se concretizou. Então, nesse post, vou abordar os motivos que me fazem usar o mínimo de plugins possível e como soluciono algumas coisas pontuais.

Escolhendo os plugins realmente necessários

Primeiro de tudo é preciso listar os plugins que pretende usar, e o melhor é que isso seja feito antes mesmo de iniciar o desenvolvimento. Muitas vezes isso não é possível, e no meio do trabalho surge a necessidade de mais uma função aqui, outra ali, e assim a quantidade de plugins vai aumentando…

Pensar os plugins no início do desenvolvimento pode ajudar principalmente a determinar quando podemos usar alguma função ou hack para solucionar o problema ao invés de adicionar mais plugins. Aqui no blog já abordamos alguns truques para serem feitos no functions.php, veja aqui e aqui. Mas, se o que você precisa seja algo mais complexo e muito específico, é interessante consultar um profissional.

Tempo de carregamento

O maior impacto que uma quantidade muito grande de plugins pode trazer ao seu WordPress é no carregamento, aumentando o tempo necessário para o WordPress carregar todos os plugins, seu tema e configurações.

Eu já tive a experiência de assumir a manutenção de sites e, quando acessei a administração, quase desisti pela quantidade absurda de plugins, e acreditem, alguns deles até mesmo com funcionalidades redundantes. Com uma faxina nos plugins, usando apenas os necessários, conseguimos aumentar a velocidade de carregamento em quase 30%.

Isso normalmente acontece quando o site não possui um acompanhamento constante de um profissional que auxilie no melhor uso e avaliação desses plugins. E assim o proprietário (ou administrador) do site, a cada necessidade que encontra, recorre a um novo plugin.

Eu encontrei um plugin (mais um?) que pode ajudar nesse ponto e avaliação. É um plugin que você pode ativar apenas quando precisar fazer alguns testes e então desativá-lo a fim de reduzir a quantidade de plugins desnecessários no dia a dia (justamente o ponto aqui!). Esse plugin é o P3 Plugin Performance Profile, e seu objetivo é exatamente apresentar a quantidade de tempo que cada plugin, o tema visual em uso e o próprio core do WordPress usam para serem carregados totalmente no navegador do visitante.
P3 Plugin Performance Profiler
Com isso, você consegue avaliar o impacto que cada plugin possui no carregamento do seu site, auxiliando assim em um planejamento e desempenho melhor do WordPress.

Manutenção/Segurança

E como fazer a manutenção desse bando de plugins? Clica em atualizar todos e pronto? Pode até ser, mas muitas vezes nem isso os administradores fazem. Sem falar que essas atualizações precisam ser feitas com cautela – backup de tudo antes! – e serem testadas após essa atualização.

Isso sem falar em plugins que possuem uma rotina de atualizações inconstante, que podem ser bem mais perigosos. Recentemente, vi um plugin que demorou quase dois meses para liberar uma atualização após ser identificada uma falha grave de segurança. O melhor a se fazer em uma situação como essa é procurar algum plugin melhor e que atenda às mesmas necessidades, ou desativar o plugin temporariamente enquanto aguarda essa atualização. Melhor prevenir do que remediar!

Plugins desatualizados deixam seu WordPress vulnerável, principalmente quando a atualização que o plugin disponibilizou é de segurança. Com isso, é emitido um relatório das falhas que foram corrigidas, e, com conhecimento dessas falhas, alguns espertinhos podem querer invadir seu site ou algo do tipo.

Conflitos

Mais um tópico que apenas pelo nome explica seu propósito. Conflitos entre plugins e/ou tema. Quando há uma quantidade descontrolada de plugins, cria-se um ambiente muito propício a gerar problemas entre eles.

Isso acontece por muitos motivos, como por exemplo funções internas dos plugins com nomes duplicados entre eles, falta de atualização e testes desses plugins na versão do WordPress que você está usando, e muitos outros. Pode parecer que os motivos são poucos, mas imagine observar todos esses detalhes em 20 ou mais plugins no mesmo projeto?! Uma tarefa de muitas horas…

O que mais encontramos nos fóruns de WordPress são pessoas falando: “Atualizei meus plugins e a tela do site ficou branca, não carrega mais nada”.
Muitas vezes isso é exatamente por conflito entre plugins e incompatibilidade com a versão do WP. Outro caso constante nos fóruns é sobre algumas funcionalidades do admin pararem de funcionar, principalmente aquelas que usam JavaScript e jQuery. A melhor forma de encontrar o vilão é desativando um a um os plugins até encontrar quem está gerando esse conflito.
Um cenário que pode trazer problemas é quando se tem um tema muito personalizado, com funções específicas, muito PHP e pouco WordPress. Isso torna mais difícil os plugins encontrarem espaço para exercerem sua função, e então o plugin não funciona ou funciona de forma inesperada. Portanto, ter um tema de qualidade também faz toda a diferença, até mesmo na hora de usar plugins!

Use plugins de qualidade

Dica básica, use e preocupe-se sempre com o uso de plugins de qualidade. Imagine que um plugin é como uma das peças do motor de seu carro (nosso motor seria o core do WP). Se essa peça for de baixa qualidade ou não funcionar de forma adequada, com certeza vai prejudicar o todo e danificar o seu motor.

Para isso, dê preferência aos plugins que estão no repositório oficial do WordPress ou provenham de desenvolvedores conhecidos. Normalmente eles são testados e validados antes de serem publicados. E mesmo dentro do repositório você pode refinar essa escolha. Veja, por exemplo, se o desenvolvedor do plugin mantém frequência e consistência na liberação de atualizações. Inclusive, se você estiver tentando instalar um plugin pela administração do WordPress e ele não possuir atualizações nos últimos 2 anos, vai notar que ele nem aparece na listagem de opções. Isso foi uma medida adotada há pouco tempo pelo WordPress justamente para diminuir os problemas causados por plugins desatualizados.

Posso então comprar plugins premium e todos esses problemas estão resolvidos?
Calma, não é bem assim. Existem inúmeros plugins premium que funcionam perfeitamente, possuem ótimo suporte e são exatamente o que precisam ser. Mas no meio desse bolo também existe uma quantidade enorme de plugins que é exagero, muitas vezes possuem muito mais do que você precisa, outras vezes o código é mal escrito e isso pode trazer conflitos e incompatibilidade.
Assim como os plugins gratuitos, você deve manter os olhos abertos a esses detalhes quando for comprar algum plugin. Veja se ele oferece uma versão de demonstração, para que você possa testar e saber se é realmente isso que precisa, e certifique-se da qualidade dos demais plugins desse desenvolvedor.
E quando precisar contratar um plugin específico, ou seja, contratar um profissional para desenvolver uma solução exclusiva para o seu produto, lembre-se das mesmas dicas anteriores: exija documentação do código escrito e determine uma forma de suporte – isso é muito importante.

Functions

Como comentado no tópico ‘Escolhendo os plugins necessários’, o functions pode ser o seu grande aliado para evitar alguns plugins com funções simples. É comum as pessoas preferirem instalar um plugin e resolver todos os seus problemas, mas quando isso está pesando no desempenho do seu site, é possível que você queira se aventurar nos códigos e fazer isso com o functions.php do seu tema.

Vamos a alguns exemplos que você pode aplicar facilmente:

Adicionar Google Analytics

Com apenas esse trecho de códigos, você adiciona o código de rastreamento do Google Analytics ao seu site:

add_action('wp_footer', 'bl_analytics');
function bl_analytics() { ?>
  // cole aqui seu código Analytics
<?php }
Logo na tela de Login
Essa é uma customização comum e que vale a pena fazer, ela adiciona um logo na tela de login do WordPress, muito útil para sites de clientes:
function login_logo() { ?>
 <style type="text/css">
 body.login div#login h1 a {
 background-image: url(<?php echo get_stylesheet_directory_uri(); ?>/images/login-logo.png);
 background-size: 234px 59px;
 width: 234px;
 }
 </style>
<?php }
add_action( 'login_enqueue_scripts', 'login_logo' );

Conclusão

Esse post teve como objetivo criar uma cultura de uso de plugins racional, e não de eliminá-los de nossas vidas. Os plugins são exatamente uma das ferramentas mais poderosas dentro do WordPress, e são capazes de fazer absolutamente qualquer coisa. Mas a proposta de uso moderado desses itens tem como objetivo manter seu site seguro, atualizado e sem bugs.

Falamos até aqui imaginando o seu site pessoal ou de um cliente. Mas quando se trabalha com WordPress no dia a dia, é comum ser responsável por uma rede de mais de 50 sites. Pensando nessa escala, os desafios são ainda maiores e exigem ainda mais do que apenas usar os plugins necessários e bons.

Enfim, aceite nosso desafio, faça uma dieta de plugins e veja como seu WordPress vai responder. É garantia de melhor desempenho e menos dor de cabeça :)