A contagem regressiva para o lançamento da tão esperada versão 5.0 do WordPress, plataforma de gerenciamento de conteúdo mais popular da web, já está chegando ao final. O terceiro beta já está disponível e a meta é que até o dia 19 de Novembro de 2018 a nova versão já esteja disponível para atualização em massa, afetando nada menos que 32% de todos os sites em todo o mundo.

A expectativa pela nova versão tem sido grande. Com a versão 5, o novo editor Gutenberg, de que já falamos antes, passa a integrar o core e oferecer uma nova experiência de criação de conteúdo – que já divide a comunidade, a propósito, e está longe de ser um consenso.

Seja como for, nós acreditamos que o que vem por aí vai transformar (para melhor) a experiência WordPress e que a longa espera vai valer a pena.

 

Quais são as novidades do WordPress 5.0?

 

O ritmo de inovação da equipe de desenvolvimento tem se acelerado nas últimas versões – basta lembrar as importantes mudanças trazidas na versão 4.8, como os novos widgets e funcionamento de links, e a versão 4.9, que trouxe melhorias no customizador e no processo de troca de temas. Mais do que o que pode ser visto na superfície, essas duas versões trouxeram melhorias importantes no núcleo da plataforma, o que se traduz em desempenho e estabilidade maiores.

A versão 5.0 promete ir ainda mais longe, com melhorias no processo de criação de conteúdo que podem transformar para melhor o fluxo de trabalho e o dia a dia de quem cria com a plataforma.

 

Gutenberg

O maior responsável por isso, sem dúvidas, é o editor Gutenberg. É verdade que o WordPress nasceu como uma plataforma mais apropriada para a criação de blogs, mas o caminho tomado pelo mercado nos últimos anos pressionou a sua transformação cada vez mais em um verdadeiro gerenciador de conteúdo em que é possível criar todo tipo de sites (e mesmo aplicações mais complexas).

Prova disso são os inúmeros temas e plugins voltados para a construção de páginas usando arrastar e soltar – como o Divi, sobre o qual já falamos antes, o Elementor, o WP Bakery, etc. Quando comparados ao editor simples do WordPress, em que pouco se pode fazer para enriquecer o conteúdo, esses builders se tornam ferramentas fundamentais para a criação de páginas iniciais, landing pages, etc.

Não surpreende, então, que uma abordagem parecida um dia pudesse ser incorporada ao core do WordPress. E esse dia chegou, certamente, porque a proposta do editor Gutenberg lembra muito a dos construtores mencionados.

Um exemplo usado na própria documentação do editor ilustra isso – note como é simples embutir um tweet, agora:

O Gutenberg também facilita a criação de layouts mais ricos e atrativos, como esse:

No momento, você já pode experimentar o Gutenberg através de um plugin separado. Quando a versão 5.0 do WordPress for lançada, entretanto, o Gutenberg passará a ser o editor padrão do WordPress, e o editor clássico é que passa a ser acessível apenas através de um plugin, que também já está disponível.

Essa é, possivelmente, a maior fonte de controvérsias com relação ao novo editor. A comunidade ainda não experimentou o suficiente o novo modo de criação e o fato de ele se tornar padrão e obrigatório já na próxima versão trouxe essa ansiedade e aversão à mudança.

Seja como for, tudo indica que esse é um futuro inevitável, então vale a pena já ir se acostumando com ele. E, para tranquilizar os alarmistas, fica o lembrete de que o editor clássico ainda poderá ser usado, embora ele não venha por padrão :)

 

O novo tema Twenty Nineteen

 

Seguindo a tradição, o novo tema dessa versão maior tem o nome do ano considerado de lançamento (2019) e foi todo criado para enfatizar as novidades da plataforma, sobretudo o Gutenberg.

Aqui está uma amostra de como o tema vai se parecer:

A imagem mostra, à esquerda, um post visto em desktop, e à direita, em dispositivo móvel. O uso das novas capacidades do Gutenberg é intenso: podemos ver o estilo de capitalização da primeira letra, a grade de imagens, a citação, etc. É possível ver também que a adaptação para dispositivos móveis da galeria de imagens ficou muito boa.

Aqui vai, também, um exemplo de página inicial:

WordPress 5.0 e o futuro da plataforma

É inegável que o time de desenvolvimento está seguindo um caminho para tornar o WordPress mais competitivo se comparado a plataformas de criação de sites populares, como o Wix.

Uma das preocupações, entretanto, é sobre o modo como esse caminho está sendo implementado. Há quem tenha trazido uma objeção importante para a implantação do Gutenberg como editor padrão: praticamente todas as instalações do WordPress vão “quebrar” assim que isso acontecer, por um motivo ou outro.

Um dos exemplos de como isso pode atrapalhar em um primeiro momento foi trazido pelo blog da Delicious Brains, que desenvolve plugins. Como as meta boxes vão sumir no novo editor, se você usa campos personalizados como no exemplo abaixo:

Sua tela vai ficar assim após o 5.0:

Isso talvez possa ser restaurado com o plugin do editor clássico, mas ainda assim é um transtorno pelo qual a maioria vai passar – sem mencionar outros efeitos ainda desconhecidos. Como a imensa maioria dos temas e plugins não foram adaptados para essa nova realidade, o que veremos é um tsunami de reclamações e tentativas de downgrade. O dia 1 será o mais dramático, certamente.

 

Como começar a testar seu site desde agora e se prevenir

 

Você não precisa esperar até o lançamento para experimentar algumas das novidades e ver como seu site se comportará. Entretanto, isso deve ser feito com todas as precauções habituais. Vamos usar a plataforma BlogLite como exemplo para isso, e você pode aplicar os mesmos princípios em sua hospedagem, se for o caso.

O primeiro passo é sempre o backup

 

Jamais comece a experimentar sem antes garantir que você tem cópias de segurança do seu site. Sério: nem sequer comece sem ter a certeza de que você tem um plano B.

Nós nos preocupamos tanto com isso que reinventamos o backup e criamos a Máquina do Tempo, a primeira do tipo e feita especificamente para o WordPress. A solução armazena um histórico de nada menos que 120 dias do site, então é possível recuperar qualquer desastre, mesmo que ele não tenha sido percebido logo. Isso é feito de modo automático, então não é preciso se preocupar. A restauração também é ultra-simples e exige apenas 1 clique:

Se a sua hospedagem não faz backups automáticos, procure criar um backup manualmente usando o painel ou baixando uma cópia do banco de dados e dos arquivos do WordPress.

Use um ambiente de testes para não afetar o site principal

O segundo passo é usar um ambiente de testes (para testar!), ao invés de começar a fazer alterações no site e deixá-las visíveis para todo mundo.

Você pode criar um clone manualmente, o que toma bastante tempo mas vale a pena.

Se você usa a BlogLite, pode criar um ambiente de testes com 1 clique no painel:

O ambiente de testes (staging area) é um clone exato do site. Isso é importante, já que você precisa testar o novo editor em condições exatamente iguais às do site que já está no ar. Isso justifica descartarmos a criação de uma instalação limpa ou de rodar uma cópia do site em localhost (no seu computador, ao invés do servidor).

 

Instale o plugin Gutenberg

Como estamos às vésperas da nova versão, o plugin Gutenberg já reflete como será o editor em sua forma final, embutida no WordPress 5.0.

Instale e ative o plugin. Logo você notará um novo menu lateral:

Clique em “Demo”. Isso iniciará um novo post com um conteúdo pré-carregado que mostra vários dos recursos de layout do novo editor:

A partir daí, você descobrirá que é fácil editar conteúdo: basta posicionar o mouse sobre o texto, clicar e começar a digitar. Para inserir um novo bloco, posicione o mouse em cima da borda superior ou inferior de qualquer bloco e depois clique no símbolo “+”

O novo bloco, por padrão, é de texto. Você pode simplesmente digitar ou inserir imagens, título ou galeria usando os ícones que aparecerão à direita. Se quiser “transformar” o bloco em outro tipo de conteúdo, clique no ícone “+” que aparece no canto esquerdo:

Você pode inserir elementos comuns, como texto, imagens, áudio, vídeo, etc, ou também widgets (sim, os mesmos widgets da barra lateral!), incorporar mídia (Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, etc), alterar o layout, e mais.

A primeira impressão é muito boa: o editor é rápido, intuitivo e funcional. É fácil e agradável incluir novos conteúdos e a disposição dos elementos é bem harmônica.

 

O que testar, então?

Agora que você já teve a primeira impressão com o Gutenberg, é hora de ver como o conteúdo já existente fica nele. Acesse a lista de posts e comece a editar. Observe se o conteúdo do editor padrão foi corretamente migrado para o esquema de blocos e se está editável.

Observe, também, se plugins importantes continuam funcionando bem, sobretudo quando você edita e visualiza os posts e páginas.

Se você usa um construtor de páginas, veja se ele ainda carrega e funciona bem tanto no dashboard quanto na edição “live”, se for o caso.

O WordPress 5.0 se comportará desse mesmo modo quando você atualizar. Se tudo estiver funcionando bem agora, funcionará bem depois, também. Se algo falhar, talvez seja melhor esperar e garantir que os desenvolvedores de temas e plugins atualizem seus produtos antes que você atualize o WordPress para a nova versão.

 

Gutenberg e WordPress 5.0: um gosto adquirido?

Seja qual for sua impressão ao testar desde agora as novidades, uma coisa é certa: a plataforma está evoluindo muito e chegando à maturidade a passos largos.

Mesmo que as mudanças não sejam um consenso, certamente agradarão a uma grande parcela de usuários que gostaria de ter bons resultados de layout e criação de conteúdo sem enveredar pelo oceano de opções de construtores e plugins de funcionalidade.

Você já testou o novo editor? O que achou até agora? Deixe suas impressões nos comentários e participe da discussão!